15 de abr de 2013


tateio no escuro:
sei das lágrimas que caem
sobre a cama
provando sal
e medo

e quero secar teu rosto
porque teu rosto assim, tão puro,
teu rosto afável
dilacera o meu.

eu quis morrer, meu amor,
porque a vida - essa
concretude imperdoável -
não deixa que engula a dor:
e eu quis fazê-la minha,
ganhar a culpa do mundo,
ascender teus olhos úmidos
- lugar de morar
e morrer

e eu quis morrer de amor,
meu amor. te implorar
caridade - não conheci outra forma
de matar o tempo,
de acabar comigo,
cimentar a noite.

eu quis morrer,
meu amor, para descobrir que viver
é arder na ferida,
aprender tua dor
- e a minha
na lassidão das horas.


viver, meu amor,
para tomar tua lágrima:
abreviar o amargo
da boca

não repetir
perdão.

Um comentário:

há palavra disse...

As palavras flutuam
afundam
tem guelras e respiram
vivem do surpreender a nossa superfície

Lindo poema!

Abs., bons caminhos...