23 de jun de 2015

candeia
gosto de noite
alta
a incendiar as teias

alheia
o tempo arrancado do
tempo
o templo do teu corpo
nu

passeia

a dança dos dedos
nos ombros
o suor
da madeira

floreia
o gosto do gosto
do som
de descobrir teu rosto

aceita
não dar nome ao gosto
do gosto do gosto
do gozo
que o teu céu
clareia

21 de jan de 2015

ainda não é noite
lugar de ligar como sempre
e dizer que não sei muito bem
se dormi aquelas quatro ou cinco horas
com o livro aberto
entre as mãos
se de fato tomei o café aguado
no meio do caminho para paradas
lanches cigarros
estradas para dois lados
pensando ah que metáfora
não ver o fim das estradas
só estradas nenhuma árvore
nenhuma criança sorrindo
pássaros casas bicicletas
nem o céu azul claro
para que eu pudesse falar do céu
na hora do café
voltar para fechar a cortina
usar o cinto de segurança
para além disso não importa
se deixei de ler as placas
se a temperatura está boa
ainda vou para o mesmo lugar
estranhar os paralelepípedos
o gosto da água os grilos o silêncio
entre o barulho dos grilos
as mãos ao telefone
não há mais como contar histórias
de estradas
são novas regras sobre cafés de estradas
e estradas
sobre contar como sempre
sobre voltar a um lugar
não há mais
como sempre