9 de jun. de 2007

conversávamos sobre loucura. e cada um concluía, um pouco mais, que loucos somos todos. mas conversávamos sobre as loucuras dos outros, a cabeça dos outros, nos outros, os outros. o primeiro tempo foi fácil enquanto não mexíamos com os nossos devaneios, Meus detalhes são normais, os outros, loucos. a loucura acaba fácil esconder quando está nas nossas caras - é um entedimento tácito, um subentendimento, é aquilo que sabemos, mas é claro que não vamos falar. falamos. e o segundo tempo começava intempestivo, as palavras saindo como um tapa e um alívio, mas saíam bem e fluíam - e naquele momento discutíamos nossas próprias convicções. êxtase. as palavras para quem devia ouvi-las - os que já as sabiam - e ainda assim para os quais era difícil dissertar. a nós mesmos e às nossas loucuras. um tempo breve e no seu fim um Quem não usa de seus devaneios?, Quem os têm por amor?, e Quem não os têm, somente?, bom o momento em que - um silêncio - a consciência fez com que os absurdos alheios nos apontassem os dedos na cara e perguntassem como vamos, como quem manda revisar seus desvarios, os seus desvios. e nós vamos bem, devaneando um pouco e sempre, e com isso mais reais, mais reais ainda. como nós, como os outros, como os certos, quando o homem sentado a minha frente diz que os certos são aqueles que sabem bem administrar suas loucuras.

1 de abr. de 2007

coisa absurda de distância
que mais me dá desejos:
essa falha no tempo
essa falta de beijos

tua temperatuda cessa
o meu déficit de calor
minhas memórias distraem
qualquer tipo de pudor

querer ficar bem longe
quanto mais, mais quero
- a ti.

indescritível
incansável
inexplicável
- serve apenas pra sentir

(são muitos meus eus-líricos)

7 de mar. de 2007

aniversario com chuva. e entro sorrindo - um pouco é do vinho, meia garrafa de sorrisos pedindo mais água. hoje a pisciana inerte aqui floresceu pra mostrar a mim mesma - que tanto tentei escondê-la - de que sou feita, quem somos. me deixou à flor da pele e assim fiquei, cheia de amor. amando os meus gostos, os meus planos, as minhas causas, as minhas pessoas, as nossas, a chuva. pego mais uma taça pra aumentar o amor. hoje eu quero lavar a alma.

5 de fev. de 2007

ando sem sal
eu perco o gosto
eu perco o cheiro
eu mudo o rosto
eu fico assim
d e s t e m p e r a d a

3 de fev. de 2007

primeira tentativa

quero a auto-terapia de escrever, secar meus males, filtrar meus graus. só tenho sólidas palavras sem gás, mas meus eus-líricos já estão fartos de dormir. tenho várias palavras sem rumo e sem sentido. mas ainda tenho os meus sentidos.