29 de ago de 2010

e permaneço - quantas horas - sentada em frente a uma parede branca: um desejo desobediente de teus últimos dias, um desespero atrapalhado porque nada acontece lá fora, nada acontece contigo e eu continuo aqui sentada, sentada há horas em frente a uma parede branca, a uma tela branca, esperando que surjas, que aconteças entre minha incontinência de antes e uma vontade louca de escrever: - me escreva.

4 comentários:

Roberto Borati disse...

eu gostei dessa sua vontade também.

Dona Fernanda disse...

escrever é ainda um bom remédio para horas vagas!

l. f. amancio disse...

o branco da espera, é quase a cegueira do Saramago: não dá para fugir, é angustiante.

Aurélio Menezes disse...

olá Camila, não a conheço e não me conhece também, mas vi seu blog em um blog de história, enfim; gostei bastante desse seu escrever desorganizando e de uma forma que se organiza naturalmente... não sei se foi sua intenção, mas o lidar com a parede "branca" é o que a maioria das pessoas não conseguem resistir, ou seja, esse momento consigo mesmo com o silêncio, com a angústia, é bastante temeroso para muitos e seria apenas o auto-controle anti-pós-moderno, se é que posso criar esse "neologismo" (se é que é um neologismo). É o mundo da velocidade, do barulho, do contato para com outros e a fuga de sua realidade. Gostei bastante, acredito que você também tinha outras intenções ao escrever tal coisa, senão todas outras intenções. Enfim, muito bom, excêntrico também : e uma vontade louca de escrever: - me escreva. Aurélio Menezes (PE)