10 de out de 2010

se sou tão eu enquanto me vejo agora de olhar perdido, remexendo os cabelos para acordar tua imagem forte (como também eram fortes teus braços em minha volta e como era macio ainda tocá-los feito boba, tão perdida em tuas dobras) e exausta em teu corpo tão teu, que inominado e solto como tu tes fostes e de suor amargo como me amargou tua ida. e sou tão eu que me percebo sacudindo cabelos para abafar tua memória - porque é de mim guardar os teus detalhes, teus traços firmes, o cheiro do meu quarto quando meu quarto era teu e eu ainda era a cama, o ruído, a espera. e sou tão eu que ainda espero mexendo em cabelos e restos enquanto, depois de ti, só me sobrou (mãos, dedos, cabelos, ânsia, quarto) tua falta.

4 comentários:

Roberto Borati disse...

belíssimo escrito sobre o silêncio ausente.

Mayara Almeida disse...

Lindo.

Márcia Leite. disse...

até quem não viveu, sentiu na pele.

Fábio Granville disse...

Olá Camila!
Prazer estar pela primeira vez em seu blog.
Poeta é aquele que escreve com o sentimento, e isso você faz muito bem.

Beijos!