8 de nov. de 2010

as missas dominicais
ainda ensinam,
extensas,
sobre a pureza do vinho
e o milagre
do nascimento.

e eu recordo que aspirei, a vida inteira,
pelos ensinamentos do pai
na hora marcada da ceia

e sobre como procurei acreditar
na história da ressurreição,
do caminho, do pão
e da vida

e não tive, depois disso, muito mais
que um ou dois questionamentos
filosóficos

e não fiz mais que hesitar
quando finalmente ouvi profundidades
sobre a condição humana.

mas eu quis compartilhar destinos
quando tomei escolhas sobre bancos sujos
de rodoviárias

e procurei rememorar mandamentos
na hora da dor não prevista naqueles livros mofados
e suas metáforas de medo.

foram poucas as palavras eruditas que esqueci
para desaprender
minha própria humanidade.


eu precisei rasgar a pele
para conhecer meu alimento.

4 comentários:

Acervo Café Frio disse...

achei discrepante (para melhor) das últimas que tenho acompanhado.

Roberto B. disse...

uma descoberta em carne viva...

muito, muito bom, camila.

Lucas Buzele disse...

Que coisa linda.

Vinicius Souza disse...

genial...