11 de abr. de 2008

o mundo, diante os olhos,
restou na lasca
de um mármore
tumular
impenetrável
e intransigente
de dor

frágil,
estilhaçadas tentativas
de transpor
o que era antes
um granizo estúpido
e rígido.

.

o que lhe cai
é ermo

_____como seu olhos

_____e sua louça

_____e sua crença

de vidro

exausta

a garrafa metade
cheia

e a tua cadeira ali,
vazia

26 de jan. de 2008

3 de out. de 2007

noite cega
fecho os olhos

(marchar os sentidos
por aí)

vôo
e arrasto

que sou
o instinto
a pé

19 de set. de 2007

....eu te teclo
..................porque ansio
...................................te tocar

3 de set. de 2007

eu quero reprise
daquele sorriso

e vê-lo
sem tino
sem tento
sem pressa

eu rogo saudoso
(e disfarço
sem jeito)

eu pago.

ela, barata,
deleita
em meu ato
desgraça
minha rima

e
só ri
pra mim

20 de ago. de 2007

saí pra esquecer. te vi. sequer havia bebido e te vi. olhei para os lados, segui a conversa, e agora era tu quem me olhavas, fixo. como se me intimasse, me intimidei, te odiei e odiei a mim mesma e ao desejo que me traía. ridícula. só me havia sentir o ridículo. eu era ridícula, tu eras, éramos os dois naquela dança sem graça e sem fim, aquele alento, a tua cara. levantei. como se não tivesse visto o garçom em minha direção fui ao fundo, quem sabe ver se serviam instintos, que os meus há muito tinham ido. tu rias. e te vi bobo, e me vi tola, e te esqueci.

naquela noite sonhei contigo.

16 de ago. de 2007

pessoa

tenho tido tropeços
tenho olhado pros lados
sentido
bebido
blefado

tenho visto apontarem
tenho visto medirem
tenho visto provarem
tenho asfixia

quero o ar do mundo
quero os metros de corpo
os tipos de rosto
as caras cansadas
as rugas
os erros

quero a infâmia
quero o afogue
quero ser vil.

também estou farta de semideuses.