29 de ago. de 2010
e permaneço - quantas horas - sentada em frente a uma parede branca: um desejo desobediente de teus últimos dias, um desespero atrapalhado porque nada acontece lá fora, nada acontece contigo e eu continuo aqui sentada, sentada há horas em frente a uma parede branca, a uma tela branca, esperando que surjas, que aconteças entre minha incontinência de antes e uma vontade louca de escrever: - me escreva.
3 de jul. de 2010
17 de mai. de 2010
para ler ao som de chico buarque: trocando em miúdos
02h23
traguei um vinho seco
com fervor similar ao que quebrava taças
e pensava em braços
sobre os quais apoiei,
inútil, a cabeça
e as manhãs dolorosas
de tuas partidas.
me alimentava um vazio
amargo
que apenas cabe
aos de desejos
incontidos
e de ilusões
grosseiras.
não tive vontade
que ultrapassasse
teu corpo.
guardei inteiras
as deformidades
do pescoço,
dos vidros partidos,
das paredes dessa casa:
tem a forma
da tua ausência
a espoliação da memória.
02h23
traguei um vinho seco
com fervor similar ao que quebrava taças
e pensava em braços
sobre os quais apoiei,
inútil, a cabeça
e as manhãs dolorosas
de tuas partidas.
me alimentava um vazio
amargo
que apenas cabe
aos de desejos
incontidos
e de ilusões
grosseiras.
não tive vontade
que ultrapassasse
teu corpo.
guardei inteiras
as deformidades
do pescoço,
dos vidros partidos,
das paredes dessa casa:
tem a forma
da tua ausência
a espoliação da memória.
29 de mar. de 2010
22 de mar. de 2010
11 de fev. de 2010
I. quarta xícara de café após a última notícia. não sei o número do dia. algumas conversas intercalam as lamentações ruidosas. quinta xícara desesperada. sou incapaz de naturalizar as perdas. descubro os olhos infantis e alcanço apenas um retrato sobre a caixa, um corpo gélido, um rosto inchado.
II. e o que eu tenho é medo, incontinência, despreparo. sequer um deus para enganar a morte. das vidas grosseiramente talhadas, guardo só incompreensão.
III. dor do verbo interromper.
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