29 de ago. de 2010

e permaneço - quantas horas - sentada em frente a uma parede branca: um desejo desobediente de teus últimos dias, um desespero atrapalhado porque nada acontece lá fora, nada acontece contigo e eu continuo aqui sentada, sentada há horas em frente a uma parede branca, a uma tela branca, esperando que surjas, que aconteças entre minha incontinência de antes e uma vontade louca de escrever: - me escreva.
te buscava incessante enquanto recitava mentalmente sobre o quanto te procuro e nada encontro - e quando não surges, nessas horas, desvendo poesias: em cada uma te inauguro.


para lembrar de ana c.

17 de mai. de 2010

para ler ao som de chico buarque: trocando em miúdos
02h23


traguei um vinho seco
com fervor similar ao que quebrava taças
e pensava em braços
sobre os quais apoiei,
inútil, a cabeça
e as manhãs dolorosas
de tuas partidas.

me alimentava um vazio
amargo
que apenas cabe
aos de desejos
incontidos
e de ilusões
grosseiras.

não tive vontade
que ultrapassasse
teu corpo.

guardei inteiras
as deformidades
do pescoço,
dos vidros partidos,
das paredes dessa casa:

tem a forma
da tua ausência
a espoliação da memória.

22 de mar. de 2010